Sabe aquele momento em que, de repente, seu filho parece mais irritado, agitado ou até faz mais birra sem motivo aparente? Pode não ser apenas cansaço: os desenhos e produções de alto estímulo podem afetar diretamente o comportamento das crianças, sem que você perceba de imediato.
Levantamentos da Organização Mundial da Saúde e sociedades pediátricas mostram que o excesso de telas já impacta o desenvolvimento cognitivo e emocional de crianças no Brasil. Saber identificar os riscos por trás das produções mais famosas é essencial para proteger o bem-estar físico e mental do seu filho.
Neste texto, você vai entender como os desenhos animados afetam o comportamento, conhecer exemplos de desenhos impróprios segundo psicólogos e especialistas, os riscos do excesso de estímulos e, também, receber dicas para equilibrar a rotina sem perder o lado lúdico que a infância pede.
Como os desenhos animados influenciam o comportamento das crianças
Os desenhos fazem parte do dia a dia da maioria das famílias: entretêm, ensinam e, muitas vezes, trazem conforto para pais e filhos. Porém, segundo estudos de neurodesenvolvimento, o tipo de conteúdo recebido na infância influencia diretamente na formação de valores, socialização e até no desempenho escolar.
Crianças absorvem comportamentos que veem nos personagens. Se assistem a cenas de desobediência, falta de respeito ou ausência de consequências negativas, há maior propensão de reproduzir essas atitudes. O excesso de mudanças rápidas de cena, sons altos e imagens vibrantes — típicos dos chamados “altos estímulos” — pode sobrecarregar o cérebro em formação, dificultando o controle emocional e a atenção.
Desenhos considerados impróprios para crianças pequenas
Mesmo produções populares podem conter mensagens inadequadas ou estimular comportamentos prejudiciais. Especialistas em desenvolvimento infantil, como psicólogos e neurocientistas, analisam tanto a linguagem quanto o contexto dos desenhos. A seguir, confira alguns exemplos discutidos amplamente por profissionais e motivos para repensar a exposição:
Peppa Pig
Embora seja muito popular, Peppa Pig frequentemente apresenta a personagem zombando do irmão, desobedecendo aos pais e agindo de forma sarcástica. A ausência de consequências claras pode gerar confusão, já que crianças menores ainda não distinguem entre diversão fictícia e condutas aceitáveis na vida real.
Caillou
O protagonista de Caillou costuma apresentar impaciência, crises de birra e comportamentos mimados. Nessas situações, pais e responsáveis no desenho raramente mostram limites ou direcionamentos claros, o que pode gerar uma identificação negativa e reforçar comportamentos indesejados.
Masha e o Urso
A animação russa é conhecida pelo humor leve, mas Masha frequentemente toma atitudes irresponsáveis, desobedecendo e ignorando alertas do Urso. As consequências dessas ações quase nunca aparecem, o que enfraquece a noção de responsabilidade pelo próprio comportamento.

CoComelon
Apesar da fama e do visual atraente, CoComelon traz episódios curtos, repetitivos e de ritmo acelerado. Especialistas alertam que esse padrão prejudica o desenvolvimento da atenção, favorecendo a dispersão e limitando o aprendizado de habilidades sociais e emocionais.
Pocoyo
Embora adorado por muitos, Pocoyo pode estimular o egoísmo por conta das atitudes do personagem principal, que muitas vezes ignora os sentimentos e limites dos colegas. A ausência de explicações ou consequências educativas dificulta o entendimento sobre empatia e respeito.
Efeitos negativos do excesso de estímulos nos desenhos animados
Desenhos de alto estímulo possuem cortes rápidos, música alta, sons intensos e cores saturadas. O que parece diversão pode gerar cansaço mental, irritação e até alterações no sono das crianças, conforme citam especialistas e confirmam relatos familiares.
Quando o cérebro infantil recebe estímulo exagerado e constante, aumenta-se a liberação de dopamina, um neurotransmissor ligado à sensação de prazer. O risco está no padrão viciante: a criança busca sempre pelo conteúdo mais intenso, prejudicando atividades que exigem mais paciência e foco, como leitura e brincadeiras criativas.
Crianças expostas por tempo prolongado ou momentos inadequados (como logo ao acordar, nas refeições e antes de dormir) têm mais dificuldade para controlar emoções e adaptar comportamentos — sintomas similares aos quadros de hiperatividade (TDAH) e atraso na fala, segundo relatos médicos recentes.
Como equilibrar a exposição e escolher desenhos adequados
A melhor estratégia é observar sinais de irritação, sono agitado ou mudança de comportamento após ver determinados desenhos. Priorize:
- Limitar o tempo de telas conforme as recomendações da OMS (até 1h por dia de 2 a 5 anos, até 2h entre 6 e 10 anos, sempre com supervisão);
- Evitar telas logo que acordar, durante refeições e até uma hora antes de dormir;
- Optar por animações de ritmo lento, cores suaves e histórias construtivas, que promovam valores como empatia, cooperação e respeito;
- Explicar às crianças quando o personagem age de forma errada, mostrando quais atitudes são saudáveis fora da TV.
Recomendações de desenhos de baixo estímulo e educativos
- Bluey (Disney): histórias familiares realistas e sensíveis.
- Piper: Descobrindo o Mundo (Disney): ritmo leve e descobertas naturais.
- O Ursinho Pooh (Disney): afeto, amizade e resolução de conflitos de forma tranquila.
- Puffing Rock e Zé Coleta (Netflix): aventuras que estimulam criatividade com calma.
- Macaco George Curioso, Sara e o Pato, Daniel Tigre (Amazon Prime): aprendizado sobre emoções e rotina.
Essas produções apresentam estímulos controlados, abordam emoções cotidianas e ajudam a criança a processar informações no próprio ritmo, dando espaço para a imaginação e o diálogo familiar.
Cuide-se e fique atento
Observar o comportamento dos filhos e dialogar sobre o que assistem são atitudes que protegem a saúde emocional e cognitiva, além de construir confiança familiar. Se notar alterações persistentes ou dúvidas sobre o desenvolvimento da criança, procure sempre orientação de profissionais de saúde.
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