Muitas pessoas percebem o domingo como um dia de inquietação. Quando o relógio avança para o final da tarde, uma sensação de tristeza pode tomar conta, deixando a pessoa com pouco ânimo para encerrar o fim de semana. Mesmo que pareça estranho, esse estado tem nome e explicação: a depressão de domingo.
Segundo pesquisas, o domingo é apontado por muitos como o dia menos feliz da semana. Se você já sentiu ansiedade, melancolia ou apreensão antes da segunda-feira, saiba que não está só: estimativas mostram que esse fenômeno afeta diversas pessoas de diferentes idades e profissões.
Neste texto, você encontra respostas sobre o que provoca essa tristeza, como ela afeta corpo e mente, estratégias para amenizar o desconforto e quando é hora de buscar apoio profissional.
O que é a depressão de domingo?
A chamada depressão de domingo – também conhecida como síndrome de domingo ou sunday blues – designa sentimentos de ansiedade, tristeza ou vazio que aparecem, em geral, no final do domingo. O principal gatilho é a antecipação das obrigações que estão por vir, junto com o contraste entre relaxamento do fim de semana e o retorno à rotina.
De acordo com a psicóloga Beatriz González, esses sintomas podem incluir pensamentos constantes sobre tarefas pendentes, dificuldade para relaxar, problemas para dormir e até manifestações físicas, como tensão muscular ou sensação de aperto no estômago. Muitas vezes, o simples fato de saber que a liberdade dos dias de descanso está prestes a acabar gera desconforto emocional.

Principais causas da tristeza no domingo
- Excesso de compromissos sociais: Sair da rotina intensa para o lazer, especialmente quando o tempo livre vira “obrigação de felicidade”, pode ser estressante, sobretudo para quem já se sente sobrecarregado durante a semana.
- Consumo elevado de álcool ou outras substâncias: O uso abusivo no sábado ou domingo está ligado ao aumento de ansiedade e à queda do humor no dia seguinte, atrapalhando o bem-estar.
- Uso prolongado de telas: Passar horas diante do computador ou do celular prejudica o descanso real e pode afetar o sono, agravando o desconforto emocional.
- Pendências profissionais: A mente tende a repassar tarefas inacabadas e preocupações do trabalho, gerando inquietação e prejudicando o relaxamento.
- Solidão ou falta de atividade social: Ficar isolado aos domingos reforça o senso de vazio, o que contribui para o surgimento da tristeza.
O impacto no cérebro e no corpo ao final do descanso
O processo de transição do descanso para a rotina ativa provoca alterações químicas no cérebro. Isso inclui a redução temporária de neurotransmissores ligados ao prazer, como serotonina, além do aumento do hormônio cortisol, responsável pelo estresse. Embora passageiro, esse ciclo pode se repetir semana após semana.
Sinais de que é hora de buscar ajuda
Sentir-se desconfortável ocasionalmente no domingo não é necessariamente preocupante. No entanto, se o sofrimento se torna intenso, persistente e começa a afetar outras áreas da vida – relações, trabalho ou saúde – procure um profissional em saúde mental. Psiquiatras e psicólogos são capacitados para orientar, identificar quadros mais sérios e sugerir tratamentos adequados.
Estratégias para enfrentar a ansiedade no domingo
- Planeje um momento prazeroso para o domingo à noite: Pode ser um jantar leve, um filme favorito ou um passeio curto – o importante é não encerrar o dia apenas com obrigações.
- Crie uma rotina de sono consistente: Tentar compensar o descanso perdido durante o fim de semana, dormindo em horários muito diferentes, piora o ritmo biológico. Manter horários próximos do habitual contribui para dormir melhor.
- Evite exagero em telas: Dê preferência a atividades relaxantes fora da tecnologia – ler, caminhar, ouvir música – e reduza o estímulo luminoso pelo menos uma hora antes de dormir.
- Faça pequenas pausas para autocuidado: Técnicas de respiração, alongamento, meditação e consciência corporal ajudam a dissipar a tensão e restaurar o equilíbrio emocional.
- Adote um olhar positivo sobre a semana: Programe algo agradável para os próximos dias, como um café com um amigo ou uma atividade de interesse. Isso ameniza a sensação de obrigação pesada e cria uma expectativa positiva.
Lembre-se: cada pessoa é única e pode se beneficiar de abordagens diferentes. O autocuidado, aliado ao respeito pelo próprio limite, permite descobrir estratégias eficientes e realistas para superar a tristeza.
Cuide-se: promovendo saúde mental além do domingo
Fortalecer a saúde mental vai além de “driblar” um dia difícil. Inclua hábitos saudáveis ao longo da semana: alimentação equilibrada, atividade física, relações de apoio e momentos de lazer – tudo isso protege contra o estresse e aumenta sua qualidade de vida. Evite automedicação ou soluções rápidas e, caso note piora ou persistência dos sintomas, marque uma conversa com um especialista.
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