Cerca de 50% dos jovens adultos já foram ignorados sem qualquer aviso por alguém com quem se relacionavam. A conversa fluía, os planos existiam — e, de repente, o silêncio. O ghosting atinge uma das necessidades humanas mais básicas: a de ser reconhecido. Entender o que leva alguém a sumir assim pode mudar a forma como cada pessoa lida com rejeição e com seus próprios vínculos.
O termo vem do inglês ghost (fantasma) e descreve o ato de cortar toda comunicação de forma abrupta, sem oferecer explicação. Embora esse rompimento não seja novo, aplicativos de namoro e redes sociais tornaram a prática mais comum. Bloquear, silenciar ou parar de responder exige apenas alguns toques na tela.
O que a psicologia diz sobre quem pratica ghosting
Medo do confronto
A razão mais frequente para o ghosting é fugir do desconforto, segundo a psicologia. Encerrar qualquer relação exige lidar com emoções alheias, e para muitas pessoas isso parece insuportável. A dissonância cognitiva explica o processo: quem se considera uma boa pessoa, mas some sem aviso, busca justificativas como “ela vai superar” para aliviar a contradição interna.
Imaturidade emocional
Existe relação direta entre ghosting e dificuldade de comunicação. Quem não aprendeu a expressar sentimentos tende a fugir quando a intimidade cresce. Segundo a teoria da aprendizagem social, quem já foi ignorado por um parceiro ou familiar tem mais chances de repetir o padrão sem questioná-lo.
Como o estilo de apego influencia o ghosting
Apego evitativo e proximidade
A teoria do apego mostra como os primeiros vínculos moldam relações na vida adulta. Pessoas com apego evitativo sentem-se sufocadas quando a intimidade aumenta. O medo de perder a autonomia faz com que desapareçam antes de serem abandonadas — um mecanismo de autoproteção que impede conexões verdadeiras.

A tecnologia e a cultura do sumiço
Aplicativos de namoro criaram a sensação de que sempre existe alguém “melhor” a um toque de distância. O paradoxo da escolha explica que o excesso de opções dificulta o investimento emocional.
Um estudo de LeFebvre et al. mostrou que pessoas que se conhecem por apps têm mais chances de praticar ghosting do que aquelas que se encontram pessoalmente. A ausência de círculo social em comum torna o desaparecimento mais fácil.
O impacto do ghosting no cérebro
A rejeição social ativa as mesmas áreas cerebrais da dor física. A incerteza — não saber se a pessoa está ocupada ou desinteressada — gera um ciclo de ruminação mental. A pessoa repassa cada conversa buscando o “erro” que cometeu, o que pode reduzir a autoestima e gerar dificuldades para interagir em relações futuras.
Como lidar com o ghosting de forma saudável
Ressignifique a rejeição
A reestruturação cognitiva sugere trocar “o que eu fiz de errado?” por “essa pessoa escolheu evitar o diálogo, e isso fala sobre ela”. O ghosting é demonstração de incapacidade de comunicação, não reflexo do valor de quem ficou.
Aceite que o silêncio já é uma resposta
O fechamento emocional não depende do outro. Aceitar que o silêncio é, por si só, uma resposta definitiva permite seguir em frente. Focar em pessoas que oferecem reciprocidade é a atitude mais equilibrada emocionalmente.
A responsabilidade de quem pensa em sumir
Para quem cogitou praticar ghosting, vale a reflexão: uma mensagem breve e honesta oferece ao outro a dignidade de um ponto final. A forma como cada pessoa encerra ciclos diz muito sobre seu caráter. Sumir reforça um padrão de fuga que dificulta a construção de conexões verdadeiras.
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