Poucos rituais populares conseguem dividir tanto opiniões e, ao mesmo tempo, unir multidões como o Carnaval. Essa festa, marcada por alegria, fantasias e encontros, é aguardada por grande parte da população brasileira. De acordo com pesquisa da Quaest, cerca de 70% dos brasileiros declararam em 2024 que pretendiam aproveitar o Carnaval. Mas o que faz tanta gente ser atraída por esse momento? E, segundo a psicologia do Carnaval, quais são os comportamentos mais comuns entre quem realmente curte a folia?
O que a psicologia explica sobre o Carnaval?
A psicologia explica que o Carnaval é um evento coletivo, mas com impactos profundos no indivíduo. Segundo especialistas como Ramon da Fonseca, docente em psicologia da UNINASSAU, a festa cria oportunidades únicas de encontro consigo mesmo e com o outro. O ambiente carnavalesco, repleto de música, dança e improvisação, incentiva o relaxamento das normas sociais rígidas e libera comportamentos reprimidos no cotidiano.
Diferentes perfis psicológicos entre foliões
O perfil psicológico do Carnaval não é único. Quem gosta realmente da folia costuma apresentar algumas características em comum, mas há nuances. Algumas pessoas buscam a festa como válvula de escape, outras como espaço de pertencimento e criação de memórias. Segundo a psicologia, predominam traços como abertura ao novo, sociabilidade e certo grau de extroversão.
No entanto, introvertidos e pessoas mais tímidas também podem encontrar sentido no Carnaval, principalmente quando enxergam ali uma oportunidade de experimentar papéis e se misturar sem medo do julgamento. Entre perfis, é possível identificar:
- O folião social: valoriza os encontros, o contato físico e a dança em grupo;
- O criativo: explora a festa através de fantasias e personagens, buscando na brincadeira novas facetas de si;
- O reflexivo: prefere observar e se emocionar com o espetáculo coletivo, nem sempre se jogando na multidão, mas apreciando a energia que circula;
- O escapista: vê no Carnaval uma maneira de esquecer problemas e aliviar o peso do dia a dia.
Essas distinções mostram que há inúmeras formas de viver a experiência carnavalesca, todas legítimas e carregadas de sentido emocional.

Benefícios emocionais de quem participa do Carnaval
Participar do Carnaval, por mais intenso que o evento seja, traz uma série de benefícios emocionais comprovados por estudos psicológicos de festas populares. Um dos mais evidentes é o fortalecimento de laços sociais. A convivência em grupo faz com que as pessoas se sintam acolhidas, reduzindo sentimentos de solidão e aumentando o senso de pertencimento – fator protetivo importante para a saúde mental.
Outro ponto destacado pelos psicólogos é o efeito relaxante do evento. Durante o feriadão, seja mergulhando de cabeça nos blocos ou apenas aproveitando a pausa da rotina, há uma clara redução das tensões do cotidiano. A festa ativa mecanismos de regulação emocional, renovando as energias e promovendo bem-estar.
Comportamentos comuns de quem ama o Carnaval
Há uma série de comportamentos no Carnaval que podem ser observados entre os foliões mais entusiastas, de acordo com a psicologia. Eles tendem a buscar prazer imediato, deixar preocupações de lado e viver o agora. O hedonismo, entendido como a busca pelo prazer saudável, é uma marca forte desta época do ano.
Outro traço marcante é a diminuição das inibições sociais. O clima carnavalesco legitima o extravasamento emocional, abre espaço para ousar dançar, cantar e se expressar sem restrições. Esse ambiente simbólico, quase de “vale tudo”, ajuda a reduzir a ansiedade e a timidez, permitindo uma autoliberação temporária.
É interessante notar ainda o papel das fantasias. Assumir um novo personagem ajuda os foliões a experimentar outros aspectos da sua identidade, em um jogo lúdico de autoindagação. O comportamento muitas vezes é de catarse – a folia passa a ser uma espécie de purificação emocional, aliviando tensões acumuladas ao longo do ano.
Como o Carnaval favorece a autoestima?
Celebrar o Carnaval pode ter efeitos diretos na autoestima. O ambiente propício à aceitação, a liberdade para ousar roupas ou fantasias inusitadas e a redução das cobranças estéticas criam espaço para o reconhecimento das singularidades. Segundo psicólogos, ao viver o lúdico e ser acolhido no coletivo, cada pessoa se percebe valorizada e pertencente, ainda que só naquele momento.
Entender a psicologia por trás da folia revela que o Carnaval vai muito além da diversão, funcionando como uma ferramenta vital para o equilíbrio emocional e a expressão da identidade. Seja através do alívio do estresse ou do fortalecimento de laços sociais, cada perfil de folião encontra na festa um caminho para renovar as energias e celebrar a liberdade.
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