Quem nunca parou o treino para tirar uma foto? Pode parecer apenas um hábito comum, mas a ciência tem algo a dizer sobre isso. Um estudo da Brunel University London, na Inglaterra, analisou mais de 500 usuários de redes sociais e chegou a uma descoberta que incomoda: pessoas que postam selfies na academia com frequência tendem a apresentar traços de narcisismo.
O comportamento, segundo os pesquisadores, está ligado a uma necessidade profunda de atenção e validação. E os “likes” que essas postagens recebem? Nem sempre significam aprovação verdadeira. Com 144 milhões de brasileiros ativos nas redes sociais em 2025, segundo o relatório Digital Report, o tema se torna ainda mais atual. Afinal, o que está por trás de quem não consegue malhar sem registrar cada repetição?
O que o estudo sobre selfies na academia revelou
A pesquisa foi conduzida por psicólogos britânicos e envolveu entrevistas detalhadas com centenas de usuários do Facebook. Os participantes responderam a questionários que mediam autoestima, traços narcisistas e o modelo de personalidade Big Five (instabilidade emocional, extroversão, amabilidade, escrupulosidade e abertura para experiência).
O perfil de quem posta fotos de treino
Os resultados mostraram que pessoas que publicam com frequência conteúdos sobre dietas, rotinas de exercícios e conquistas físicas apresentam um perfil específico. Elas costumam atualizar seus perfis com mais regularidade e demonstram uma forte necessidade de receber reações positivas da audiência.
De acordo com a professora Tara Marshall, uma das responsáveis pela pesquisa, o objetivo dessas postagens é transmitir o esforço que a pessoa dedicou para alcançar determinada aparência física.
Selfies na academia e o narcisismo: qual a relação?
Os psicólogos classificaram esse comportamento como um transtorno de personalidade. O narcisismo, nesse contexto, não se resume à vaidade. Trata-se de um padrão em que a pessoa busca validação externa de forma constante e tem dificuldade em construir uma autoimagem saudável sem o reconhecimento dos outros.
A busca por curtidas nem sempre é o que parece
Um ponto interessante do estudo é que as curtidas e comentários de apoio não representam, de fato, aprovação genuína. A professora Tara Marshall destacou que muitos amigos podem estar apenas sendo educados ao reagir a essas publicações, enquanto, na verdade, reprovam a exposição excessiva.
Esse dado é relevante porque cria uma falsa sensação de aceitação. A pessoa posta, recebe likes, se sente validada, e o ciclo se repete — sem que haja uma conexão real com quem interage.

A autoestima baixa também aparece nas redes sociais
O estudo não se limitou ao comportamento de quem posta fotos na academia. Outra descoberta apontou que pessoas com baixa autoestima tendem a atualizar com mais frequência o status de relacionamento e compartilhar mais fotos com seus parceiros.
Por que pessoas inseguras expõem o relacionamento?
Segundo os pesquisadores, essa é uma forma que pessoas inseguras encontram de fortalecer os laços e dar mais solidez ao relacionamento. Ao tornar a relação pública e constantemente visível, elas buscam uma espécie de confirmação de que tudo vai bem — mesmo que, internamente, existam dúvidas.
Isso mostra que o comportamento nas redes funciona como um espelho de questões emocionais mais profundas. O que se posta nem sempre reflete a realidade, mas sim o que se deseja que os outros acreditem.
Como identificar se o hábito virou um problema
Nem toda selfie na academia indica um problema psicológico. O ponto de atenção surge quando o registro passa a ser mais importante que o treino em si, ou quando a pessoa se sente mal ao não receber o engajamento esperado.
Alguns sinais merecem atenção:
- Necessidade constante de postar cada treino para se sentir motivado
- Frustração ou ansiedade quando as publicações recebem poucas curtidas
- Comparação frequente com outros perfis fitness
- Autoestima que depende exclusivamente das reações nas redes
Se o hábito causa desconforto emocional ou interfere no bem-estar, buscar a orientação de um profissional de saúde mental pode ser um bom caminho.
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