Seu cachorro está ofegante no calor e a primeira ideia é dar gelo para refresca-ló? Antes de jogar um cubo direto na boca do pet, veterinários fazem um alerta que pode evitar sérios problemas de saúde. A forma como o gelo é oferecido faz toda a diferença entre ajudar e prejudicar o animal.
Com temperaturas que ultrapassam 40°C em diversas regiões do Brasil durante o verão, os tutores buscam alternativas para aliviar o desconforto dos pets. A boa notícia é que, sim, o cachorro pode comer gelo — mas existe um jeito certo de fazer isso. E ignorar esse detalhe pode causar desde engasgos até inflamações no esôfago e estômago do animal.
Segundo estudos veterinários, cães que apresentam sinais leves de calor excessivo têm 98% de chance de recuperação completa. Porém, quando os sinais se agravam, as chances caem para apenas 50%. Por isso, saber como refrescar o pet corretamente é mais do que um cuidado — é uma questão de saúde.
Cachorro pode comer gelo? O que dizem os veterinários
De acordo com o Dr. Thiego Aguilar, médico-veterinário da rede Seres, o gelo pode ser um aliado para refrescar o cachorro. No entanto, a forma de oferecimento determina se a prática será segura ou arriscada.
A recomendação é colocar pequenos cubos de gelo na água do bebedouro. Dessa forma, a água fica mais fresca sem que o animal engula o gelo inteiro.
O problema de dar gelo puro para cachorro
O oferecimento de pedras de gelo diretamente, sem diluição na água, apresenta riscos. O cão pode engolir o cubo inteiro, causando:
- Inflamação do esôfago pelo contato do gelo com a mucosa
- Engasgos e obstrução das vias digestivas
- Inflamação do estômago pelo contato direto com a mucosa gástrica
O cirurgião veterinário Ben Simpson-Vernon, que atende milhares de seguidores com conteúdo sobre pets, destaca que existe muita desinformação sobre o assunto. Ele afirma que o risco de danos aos dentes ao mastigar pedaços grandes é pequeno, mas recomenda bom senso ao oferecer gelo aos animais.
Como dar gelo para cachorro de forma segura
Existem maneiras práticas e seguras de usar o gelo para refrescar o pet nos dias quentes. A mais simples é adicionar cubos pequenos no bebedouro, mantendo a água gelada por mais tempo.
Picolés caseiros para cachorro
Uma alternativa divertida é preparar picolés naturais. O processo é simples:
- No liquidificador, misture água com frutas permitidas aos cães
- Utilize melancia, melão, mamão, pera ou maçã (sempre sem sementes)
- Bata até obter uma mistura homogênea
- Despeje em forminhas de gelo e leve ao congelador
Essa opção funciona como enriquecimento ambiental, oferecendo uma experiência diferente e saborosa para o animal.

Por que refrescar o cachorro no calor é tão importante
Os cães não possuem glândulas sudoríparas como os humanos. A regulação de temperatura acontece principalmente pela respiração. Por isso, quando estão com calor, os cachorros ficam ofegantes — tentando baixar a temperatura corporal.
Quando esse mecanismo não é suficiente, pode ocorrer a hipertermia canina. A temperatura normal dos cães varia entre 38°C e 39°C. Acima de 40°C, o quadro se torna grave e pode afetar órgãos vitais.
Sinais de hipertermia em cachorro
Fique atento aos seguintes sintomas progressivos:
- Respiração muito ofegante
- Salivação excessiva
- Apatia ou prostração
- Andar cambaleante
- Confusão mental
- Taquicardia
Raças de cachorro que sofrem mais com o calor
Algumas raças precisam de atenção redobrada em dias quentes. Os cães braquicefálicos — aqueles com focinho achatado — têm maior dificuldade para regular a temperatura.
Entre as raças mais vulneráveis estão:
- Pug
- Buldogue (Francês e Inglês)
- Shih Tzu
- Boxer
- Pequinês
Esses animais têm menor área de superfície no focinho, o que dificulta a passagem de ar e a dissipação de calor. Cachorros obesos, idosos ou com pelagem muito densa também exigem cuidados extras.
6 dicas para manter o cachorro fresquinho no verão
Além do gelo na água, outras medidas ajudam a proteger o pet do calor intenso:
1. Evite passeios entre 10h e 16h
Nos horários de sol forte, a temperatura do asfalto pode causar queimaduras nas patas. Use a regra dos sete segundos: se não conseguir manter a mão encostada no chão por esse tempo, está quente demais para o cachorro.
2. Prefira exercícios leves em dias quentes
Atividades intensas aumentam a temperatura corporal. Respeite o ritmo do animal e evite brincadeiras vigorosas sob o sol.
3. Ofereça sombra e água fresca sempre
Durante os passeios, leve bebedouro portátil. Em casa, mantenha diversos pontos de água disponíveis.
4. Aposte em superfícies frias
Tapetes gelados ou piso frio ajudam na troca de calor. Os cães se refrescam deitando de barriga para baixo em superfícies geladas.
5. Mantenha banhos regulares
No verão, considere banhos semanais ou conforme orientação veterinária.
6. Controle o peso do cachorro
A gordura funciona como isolante térmico, dificultando a regulação de temperatura. Manter o peso adequado ajuda a prevenir hipertermia.
O que fazer em emergência de calor excessivo
Se o cachorro apresentar sinais graves de hipertermia, algumas medidas podem ser tomadas antes de chegar ao veterinário:
- Leve o animal para local fresco imediatamente
- Passe um pano com água fria (não gelada) nas axilas e barriga
- Ofereça água fresca em pequenas quantidades
- Procure atendimento veterinário de urgência
Atenção: não use água gelada ou gelo diretamente no corpo. Isso causa vasoconstrição e dificulta a dissipação de calor.
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