Direitos do Trabalhador

Presidente Lula sanciona ampliação da licença-paternidade para até 20 dias

Medida busca promover maior participação dos pais no cuidado dos filhos.

Publicado por
Ana Julia Nery

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acaba de sancionar uma das mudanças mais aguardadas pelas famílias brasileiras: a ampliação da licença-paternidade. Agora, os pais poderão se ausentar do trabalho por até 20 dias após o nascimento do filho, um direito que promete transformar a rotina de milhares de famílias.

Após décadas de espera, essa conquista coloca o Brasil em um novo patamar no que diz respeito à igualdade e ao papel do pai nos primeiros dias de vida da criança. Mas essa mudança não é só um avanço, ela também levanta diversas questões: quando a medida entra em vigor? Como será o pagamento do salário durante o período de licença? Existe a possibilidade de ampliação ainda maior da licença no futuro?

Continue acompanhando para entender todos os detalhes dessa decisão que promete impactar positivamente a vida dos pais brasileiros e de suas famílias.

O que é a licença-paternidade?

A licença-paternidade é o período em que o empregado segurado do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) pode se afastar do trabalho após o nascimento, adoção ou obtenção de guarda judicial de um filho. Durante esse tempo, o trabalhador recebe o chamado salário-paternidade, pago pelo Governo Federal, assegurando estabilidade provisória e proteção ao vínculo de trabalho.

Quem tem direito à licença-paternidade ampliada?

O direito à licença-paternidade ampliada é destinado a pais segurados do RGPS, ou seja, trabalhadores com carteira assinada e contribuintes individuais ou facultativos que comprovem vínculo formal.

O benefício se aplica tanto em casos de nascimento quanto em adoção ou guarda judicial para fins de adoção. O projeto de lei sancionado também garante direitos para adotantes, pais de crianças com deficiência e em situações de falecimento materno ou parto antecipado.

Como funcionará a ampliação da licença-paternidade?

Ampliação da licença-paternidade será gradual./ Imagem: Freepik

Atualmente, a licença-paternidade é de cinco dias.

A legislação assinada por Lula nesta terça-feira, 31 de março de 2026, regulamenta um direito previsto desde a Constituição de 1988. O texto determina que o período da licença-paternidade aumentará de forma escalonada, obedecendo às seguintes escalas:

  • 10 dias a partir de 2027.
  • 15 dias em 2028.
  • 20 dias em 2029.

Direitos ampliados para casos específicos

  • Adoção: Pais adotantes ou em guarda judicial para fins de adoção passam a ter direito à licença, promovendo a igualdade entre vínculos biológicos e adotivos.
  • Crianças com deficiência: O acréscimo de um terço no período de licença facilita a adaptação e acolhimento diante das necessidades específicas dos filhos.
  • Falecimento da mãe ou parto antecipado: O benefício é mantido em situações delicadas, priorizando o bem-estar da criança.

Quais são as regras para recebimento do salário-paternidade?

O salário-paternidade equivale à remuneração integral do trabalhador por todo o período de afastamento, sem prejuízo do cargo ou salário. Em situações específicas, como nascimento prematuro ou morte da mãe, o responsável tem assegurada a licença e o benefício financeiro correspondente.

Ao garantir a estabilidade provisória durante o período de licença, a lei busca evitar demissões arbitrárias e assegurar que o trabalhador não sofra prejuízos em razão do afastamento. Com a equiparação ao modelo de proteção conferido à maternidade, a dispensa sem justa causa é vedada, assim como descontos em salários ou benefícios durante o período de licença.

Exceções e situações de suspensão ou indeferimento

Existem hipóteses em que o benefício pode ser suspenso ou negado, entre elas:

  • Casos de violência doméstica praticada pelo pai.
  • Abandono material do filho durante o período de licença.
  • Pai que não mantenha convivência com a criança ou impeça os cuidados maternos.

Além disso, para cada situação, recomenda-se consultar diretamente os canais oficiais, pois procedimentos complementares podem ser exigidos.

Opiniões sobre a ampliação da licença-paternidade

De acordo com Luana Pinheiro, diretora de Economia do Cuidado da Secretaria Nacional da Política de Cuidados e Família (SNCF), a medida representa um avanço importante da organização social dos cuidados no país.

“Sabemos que a ampliação da licença-paternidade para 20 dias ainda está aquém do ideal, mas representa um avanço muito importante. Ela contribui para fortalecer a corresponsabilização entre homens e mulheres no cuidado com filhos desde os primeiros dias de vida, sendo um resultado importante da implementação da Política Nacional de Cuidados, demonstrando o compromisso deste governo com a garantia do direito ao cuidado e com a promoção de uma organização social dos cuidados mais justa e sustentável”, disse ela.

Implementação gradual e articulação federal

A ampliação da licença-paternidade segue determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) após o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão nº 20/DF, que reconheceu a demora do Congresso Nacional para regulamentar o tema. A Secretaria Nacional da Política de Cuidados e Família (SNCF), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), coordena os esforços pela nova regulamentação.

O avanço faz parte do Plano Nacional de Cuidados, estabelecido pela Lei nº 15.069/2024 e pelo Decreto nº 12.562/2025.

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