Apenas 10% das vítimas de golpes via Pix conseguem recuperar o dinheiro perdido. Essa realidade começou a mudar nesta segunda-feira (2), quando entraram em vigor as novas regras do Pix, definidas pelo Banco Central. A partir de agora, será possível rastrear e devolver o dinheiro desviado para quem caiu em fraudes.
O promotor de vendas Luiz Carlos Rosa conhece bem essa dor. Acreditando que fazia acordo com uma seguradora, ele realizou dois pagamentos que somaram R$ 3 mil. Meses depois, recebeu uma carta do banco informando que não foi possível rastrear os valores — a conta do golpista estava zerada.
Casos como esse motivaram o Banco Central a reforçar os mecanismos de combate a golpes, fraudes e coerção. Especialistas estimam que as mudanças podem diminuir em até 40% os golpes considerados bem-sucedidos.
O Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0) permite que o dinheiro transferido de forma irregular seja rastreado mesmo depois de passar por múltiplas contas. Antes da atualização, o bloqueio ocorria apenas na primeira conta que recebia os valores fraudados.
Os criminosos exploravam uma falha simples: após receberem o Pix da vítima, transferiam rapidamente o dinheiro para outras contas (chamadas “contas de passagem”). Esse rastreamento reduz a atuação de quadrilhas especializadas em esvaziar rapidamente a primeira conta que recebe o Pix fraudulento.
A principal novidade é a possibilidade de seguir o caminho do dinheiro por diversas contas até chegar ao destino final, permitindo bloquear recursos mesmo depois de sucessivas transferências. Os bancos agora compartilham informações entre si para identificar todas as contas envolvidas no golpe.
As novas regras trazem alterações significativas para quem usa o sistema de pagamentos instantâneos:
Se alguém cair em um golpe, a rapidez é determinante para recuperar os valores. Confira o procedimento:
O BC esclarece que o MED só deve ser acionado em caso de fraude, suspeita de fraude ou erro operacional das instituições financeiras. A ferramenta não pode ser usada no caso de Pix a destinatários errados digitados pelo usuário.
Isso significa que, se uma pessoa digitar a chave Pix errada por conta própria, não poderá usar esse mecanismo para recuperar o dinheiro. Para esses casos, ainda é necessário entrar em contato diretamente com o recebedor.
As instituições agora são obrigadas a cooperar de forma mais rápida e integrada com órgãos de segurança e entre si, o que deve reduzir o tempo total necessário para localizar e retomar os valores desviados.
O chefe-adjunto do Departamento de Competição do Banco Central, Breno Lobo, destacou que a limitação anterior impedia identificar outras contas participantes do golpe. Com o novo sistema, essas informações são armazenadas e compartilhadas entre todas as instituições financeiras.
A Febraban declarou apoio às mudanças e acredita que o MED 2.0 representará um grande avanço na prevenção e no combate a golpes.
O Banco Central reforça que o Pix continua sendo gratuito para pessoas físicas. As novas medidas de segurança não implicam cobranças adicionais, nem geram custos para o usuário comum.
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Assista ao vídeo abaixo e entenda se a Receita Federal irá taxar o Pix: