Todo ano, no dia 1º de abril, milhões de pessoas ao redor do mundo param para pregar peças. Mas por que justamente essa data virou símbolo de mentiras, sustos e gargalhadas? A resposta tem séculos de história — e começa com uma briga de calendário que ninguém esperava.
A tradição do Dia da Mentira atravessa continentes e gerações. Do interior do Brasil à Europa, a data reúne desde brincadeiras simples entre amigos até pegadinhas elaboradas transmitidas ao vivo pela televisão. Entender como tudo isso começou é tão curioso quanto as próprias histórias que a data inspira.
O ano era 1582. No calendário juliano, o Ano-Novo costumava ser comemorado em meados de março, com celebrações que se estendiam até o dia 1º de abril.
Após decisão da Igreja Católica, o calendário gregoriano passou a ser adotado como método de organização dos dias. A medida, no entanto, não agradou a todos. Parte dos franceses, apegados à antiga tradição, resistiu às mudanças propostas e desejava continuar seguindo a data antiga de início do ano.
Essa resistência teve um preço social imediato. Os que mantinham o costume passaram a ser alvo de presentes esquisitos e convites para festas inexistentes. Essa é uma das explicações para a tradição de pregar peças e zombar de amigos na data.
A data também carrega raízes ainda mais antigas. Relatos históricos relacionam o 1º de abril ao festival de Hilária, uma celebração romana anterior ao nascimento de Cristo, realizada no equinócio de março em honra à deusa Cibele, a “Mãe dos Deuses”, que reunia características de divindades gregas como Gaia, Reia e Deméter.
O nome já entrega tudo: hilaris, em latim, significa alegre. Era uma festa dedicada ao riso e à leveza — um antecessor simbólico do que se celebra até hoje.
O Brasil tem seu próprio capítulo nessa história. No Brasil, há um marco simbólico em 1848, com o jornal “A Mentira”. Em 1º de abril daquele ano, o periódico circulou em Pernambuco com a falsa notícia da morte de Dom Pedro I. O fato foi desmentido no dia seguinte, mas o simbolismo da data permaneceu.
Esse episódio revela que, muito antes das redes sociais, uma “mentira” bem colocada já tinha poder de agitar multidões — e que o 1º de abril era terreno fértil para isso.
Em muitos países ao redor do mundo, o dia 1º de abril é celebrado como o Dia da Mentira. Esse é o momento onde as pessoas se divertem pregando peças e brincadeiras inofensivas.
Na França, a tradição é chamada de Poisson d’Avril — Peixe de Abril — onde se cola um peixe de papel nas costas de alguém desavisado. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, a data é conhecida como April Fools’ Day. Cada cultura adaptou o espírito à sua maneira, mas o ingrediente central é sempre o mesmo: humor coletivo e criatividade.
Uma das pegadinhas mais famosas da história aconteceu em 1957, quando a BBC exibiu uma reportagem fictícia sobre a “colheita de espaguete em árvores na Suíça”. Milhares de telespectadores acreditaram e ligaram para a emissora querendo saber como plantar macarrão em casa.
Para quem quer entrar no espírito da data, algumas brincadeiras simples e bem-humoradas são suficientes para arrancar boas risadas — sem precisar de nenhum recurso elaborado.
Envie para amigos aquelas figurinhas que nunca carregam, ou GIFs com o selo animado que trava para sempre. A pessoa vai passar um bom tempo culpando o sinal de internet sem perceber que foi vítima de uma pegadinha discreta e eficaz.
Cole um pequeno adesivo na parte inferior do mouse de alguém para cobrir o sensor ótico. Observe com discrição enquanto a pessoa tenta descobrir por que o cursor não responde. Simples, visual e difícil de identificar na hora.
Troque os nomes de dois contatos no celular de alguém — por exemplo, o número da mãe pelo de um colega de trabalho, e vice-versa. A confusão nas mensagens e ligações pode gerar situações divertidas, sem nenhum dano real.
Posicione um balde de plástico leve ou uma caixa vazia em cima de uma porta entreaberta. Quando alguém abrir, o objeto cai — sem água de verdade. O susto com o barulho já garante a risada, sem nenhum transtorno real.
Vale lembrar que as melhores pegadinhas são aquelas que terminam com todos rindo — inclusive quem foi pego de surpresa. Brincadeiras leves, criativas que respeitem os limites de cada pessoa, fazem muito mais sucesso do que aquelas que causam constrangimento ou mal-estar. O verdadeiro espírito do Dia da Mentira é espalhar bom humor, não confusão.
De uma briga de calendário no século XVI às pegadinhas do WhatsApp em 2026, o Dia da Mentira prova que algumas tradições têm uma resiliência surpreendente. O que começou como chacota direcionada a quem resistia às mudanças virou, ao longo dos séculos, um dos momentos mais descontraídos do ano em dezenas de países.
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