R$ 1.000 parados na poupança ou rendendo mais no Tesouro Selic — essa escolha já existe. Mas e se o aluno quiser ir além?
Desde novembro de 2025, os estudantes do Pé-de-Meia ganharam o direito de decidir onde o Incentivo-Conclusão de R$ 1.000 vai render enquanto o ensino médio não termina. A mudança veio pela Portaria Interministerial MEC/MF nº 9/2025 e abriu uma porta que muitos jovens nunca imaginaram cruzar: a do mercado de investimentos.
Só que uma dúvida ficou no ar — e aparece com frequência entre estudantes e responsáveis: dá para ir além da poupança e do Tesouro Selic? CDB, fundos, ações… alguma dessas opções está disponível?
A resposta é direta, mas o que está por trás dela diz muito sobre como o programa foi pensado para proteger — e ao mesmo tempo educar — jovens que, na maioria das vezes, estão tendo o primeiro contato real com o sistema financeiro. Entender as regras pode fazer diferença de quase R$ 100 por parcela até a formatura.
O Pé-de-Meia é uma iniciativa do Governo Federal que combina transferência de renda com estímulo à permanência escolar. É voltado a estudantes matriculados no ensino médio público inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), com renda familiar per capita de até meio salário mínimo.
Os pagamentos do programa são divididos da seguinte forma:
Ao final do ensino médio, os valores acumulados podem chegar a R$ 9.200 por aluno. O incentivo de R$ 1.000, porém, permanece bloqueado para saque até a conclusão do 3º ano.
Esse bloqueio é intencional. O objetivo é garantir que o estudante chegue ao fim do ensino médio com uma reserva formada — e não gaste o valor antes da formatura. É uma poupança obrigatória com propósito educacional.
Desde novembro de 2025, o programa passou a oferecer duas opções de aplicação para as parcelas de R$ 1.000:
A parceria entre a Secretaria do Tesouro Nacional, a Caixa Econômica Federal, o Ministério da Educação e a B3 foi oficializada em janeiro de 2026. Desde novembro de 2025, cerca de 50 mil estudantes já optaram por investir no Tesouro Direto.
A limitação existe por razões claras de proteção ao beneficiário. Muitos estudantes do programa têm o primeiro contato com o sistema financeiro justamente pelo Pé-de-Meia. Investimentos mais complexos envolvem riscos de oscilação e perdas incompatíveis com esse perfil.
Assim como na poupança, no Tesouro Selic os rendimentos variam conforme as condições do mercado, sem risco de perda do investimento. Essa característica é o que torna as duas opções compatíveis com o público do programa.
Não. De acordo com as regras do Ministério da Educação, os participantes do Pé-de-Meia não têm liberdade para escolher qualquer tipo de investimento. Os valores do incentivo-conclusão são direcionados exclusivamente para poupança ou Tesouro Selic.
CDB, fundos de investimento, ações, criptomoedas e qualquer outra modalidade financeira estão fora do alcance do programa — ao menos por enquanto.
A diferença está principalmente no retorno ao longo do tempo. Um valor de R$ 1.000 aplicado por três anos renderia cerca de R$ 156,34 na poupança, enquanto no Tesouro Selic renderia R$ 253,34 no mesmo período, segundo a Calculadora do Cidadão do Banco Central.
O Tesouro Selic é isento de taxa de custódia para aplicações até R$ 10.000 em 2026, tornando-se uma opção vantajosa frente à poupança tradicional. Há incidência de Imposto de Renda sobre os rendimentos, mas de forma regressiva: quanto mais tempo aplicado, menor a alíquota.
O processo é simples e totalmente digital:
A escolha se aplicará às parcelas já recebidas e às que ainda serão pagas. Estudantes com menos de 18 anos precisam de autorização do responsável legal para realizar a troca. Exceto para os guardiões, essa autorização é feita pelo próprio aplicativo.
O dinheiro permanece bloqueado até a confirmação da conclusão do 3º ano pelo MEC. Após essa validação, os valores na poupança são liberados, e os valores no Tesouro Selic podem ser resgatados para a conta.
Para utilizar o saldo aplicado no Tesouro Selic, é necessário transferi-lo para a poupança pelo aplicativo Caixa Tem. Após esse procedimento, o valor fica disponível para movimentação em até 48 horas.
Para muitas famílias de baixa renda, investir sempre pareceu coisa distante ou reservada a quem tem dinheiro sobrando. O Tesouro Direto ajuda a desfazer esse mito: o título público é o mesmo usado por grandes investidores, com as mesmas regras e o mesmo risco — a única diferença está no valor aplicado, não no acesso.
Ao permitir que estudantes escolham entre dois tipos de investimento, o programa apresenta, na prática, conceitos como rendimento, taxa de juros e planejamento — de um jeito que nenhuma aula teórica substitui.
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