Milhões de reais em prêmios das loterias da Caixa não são resgatados anualmente no Brasil. Só em 2024, cerca de R$ 400 milhões deixaram de ser sacados por ganhadores de prêmios em alguma das loterias. Mas, afinal, qual é o destino dessas quantias? O que acontece com o prêmio não resgatado?
De acordo com as regras das Loterias Caixa, o ganhador dispõe de 90 dias corridos após o sorteio para sacar o prêmio. Se perder esse prazo, o valor prescreve e o apostador perde o direito de resgatar o dinheiro.
O saque pode ser feito em casas lotéricas para valores menores ou nas agências da Caixa, mediante apresentação do bilhete original e documento de identificação, caso o montante bruto seja superior a R$ 2.428,80. Para prêmios de R$ 10 mil ou mais, é estabelecido um prazo de pagamento mínimo de dois dias úteis a partir da apresentação do vencedor em uma agência.
Quando o dinheiro esquecido nas loterias não é retirado no prazo, ele não permanece sem função. Conforme a Lei 13.756/2018, todo o valor prescrito nas loterias é automaticamente direcionado ao Fundo de Financiamento Estudantil (FIES). O programa oferece bolsas e empréstimos que ampliam o acesso ao ensino superior para estudantes de baixa renda.
Esses repasses ao FIES são automáticos, e o valor não pode ser revertido diretamente ao ganhador após o prazo de resgate.
Menos da metade do valor arrecadado retorna para os ganhadores. Hoje, cerca de 43,79% da arrecadação serve para compor o prêmio bruto, enquanto o restante é dividido entre impostos, taxas de administração e repasses para áreas como seguridade social, saúde, cultura, esporte e segurança pública.
Em 2025, por exemplo, os repasses das Loterias Caixa somaram mais de R$ 7 bilhões apenas entre janeiro e agosto. Desses, R$ 2,60 bilhões foram direcionados para a seguridade social — principal fatia — enquanto o FIES recebeu R$ 253,4 milhões provenientes dos prêmios esquecidos, especialmente nos meses seguintes à Mega da Virada.
Além do aporte ao FIES, os valores arrecadados e não pagos diretamente aos vencedores ampliam projetos que atendem amplos setores da população.
Destaca-se ainda que, em 2025, apenas nos primeiros oito meses, R$ 253,4 milhões de prêmios prescritos reforçaram as bolsas universitárias, com destaque para o mês de março, que concentrou R$ 58,6 milhões.
O maior volume de repasses aconteceu em junho (R$ 1,03 bilhão) e julho (R$ 961,4 milhões), enquanto os meses com os menores volumes foram março (R$ 778,3 milhões) e maio (R$ 822 milhões).
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