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Não foi só a PICANHA: corte nobre teve a maior queda do mercado de carnes; confira

Publicado por
Ruan Samarone

Os brasileiros estão conseguindo aproveitar preços cada vez mais acessíveis da carne vermelha. De acordo com dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a carne bovina está mais barata no Brasil, para alívio da população.

Esse cenário é muito positivo para os consumidores do país, que passam a ter mais condições de adquirir a proteína. Aliás, a situação é bem diferente do observado nos dois últimos anos, quando os preços elevados da carne bovina, somados à inflação e aos juros elevados, fizeram o consumo da proteína despencar no país.

Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o consumo de carne bovina em 2022 foi o menor em 26 anos no Brasil. Vários fatores provocaram esse cenário, como a redução do gado para o abate, que elevou os preços da proteína no varejo brasileiro, além do desemprego, da inflação e dos juros elevados.

Preços da carne bovina despencam no Brasil

Em 2023, a situação é completamente diferente, e os preços da carne bovina estão caindo de maneira significativa no país. Não foi só a picanha que teve uma queda significativa em seu valor, mas o filé-mignon, considerado um corte ainda mais “nobre”, também ficou mais barato no Brasil.

Confira abaixo as quedas acumuladas nos preços da carne vermelha em 2023:

  • Filé-mignon: -16,95%;
  • Alcatra: -13,46%;
  • Contrafilé: -11,77%;
  • Pá (Paleta Bovina): -10,50%;
  • Fígado: -10,15%;
  • Costela: -9,95%;
  • Capa de Filé: -9,70%;
  • Acém: -9,49%;
  • Picanha: -9,14%;
  • Patinho: -8,82%;
  • Peito: -8,73%;
  • Chã de Dentro: -8,54%;
  • Lagarto comum: -8,38%;
  • Lagarto redondo: -8,31%;
  • Músculo: -7,41%;
  • Carne de porco: -4,65%;
  • Cupim: -4,13%;
  • Carne de carneiro: -0,40%.

A saber, o filé-mignon foi o sexto item com a maior queda da cesta de alimentos pesquisada pelo IBGE, atrás apenas dos seguintes itens: cebola (-43,71%), laranja (-36,14%), óleo de soja (-28,86%), abacate (-25,79%) e batata inglesa (-19,33%), cujos preços caíram ainda mais que o filé-mignon.

Vários cortes de carne vermelha estão mais baratos no Brasil em 2023. Imagem: Pixabay.

Frango está mais barato, mas preço do peixe sobe

Os preços mais baixos não se limitam à carne bovina. As pessoas que buscaram outras proteínas também estão conseguindo aproveitar valores mais acessíveis em 2023.

Em suma, o segmento de aves e ovos está 6,30% mais barato no acumulado deste ano. Esse resultado foi possível graças às quedas registradas nos preços do frango em pedaços (-11,69%) e do frango inteiro (-9,79%). Por outro lado, os ovos acumulam forte alta de 12,94% no ano.

Por sua vez, os pescados estão 3,12% mais caros em 2023. O maior aumento foi registrado pela tainha (11,68%), seguida por caranguejo (7,28%) e tilápia (6,99%). Em contrapartida, os valores do peroá e do serra caíram 14,58% e 6,43%, respectivamente.

Vale destacar que o grupo de alimentação e bebidas teve deflação pelo terceiro mês consecutivo. Em agosto, o recuo foi de 0,85%, e agora o grupo acumula uma redução média de 0,31% em 2023. O resultado é possível graças aos três subgrupos abaixo:

  • Óleos e gorduras (-17,35%);
  • Tubérculos, raízes e legumes (-15%);
  • Carnes (-9,65%).

Por que os preços da carne caíram?

De acordo com analistas, existem diversos fatores que contribuíram para a redução dos preços de diversos cortes de carne vermelha neste ano. O primeiro deles se refere à safra de grãos do país, com a soja e o milho batendo recorde de colheita em 2023. Isso provocou a queda dos preços dos grãos no varejo interno.

Como estes grãos são usados na alimentação dos frangos e suínos, os custos dos produtores ficou menor, e muitos repassaram as reduções para o consumidor final.

Além disso, as chuvas regulares vêm favorecendo os pastos, que fazem parte da alimentação dos bovinos. Dessa forma, os produtores também reduzem a quantidade de ração utilizada na alimentação deste animais.

Ao falar especificamente do filé-mignon, a redução em seus preços vêm acontecendo, principalmente, porque a carne não é uma das preferidas no exterior. Por exemplo, os países da Ásia que importam carne brasileira preferem peças mais gordurosas, ou seja, a demanda mais fraca faz os preços do corte caírem.

Inflação sobe 0,23% em agosto

Todos estes dados fazem parte do IPCA, que é a inflação oficial do Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pela pesquisa, o IPCA subiu 0,23% em agosto., acelerando em relação a julho, quando a taxa avançou 0,12%.

Apesar da aceleração, o resultado veio abaixo do esperado pelos analistas do mercado financeiro, cuja média das projeções apontava para uma alta de 0,28% em agosto. Isso aconteceu, principalmente, por causa dos preços da alimentação, com vários itens registrando queda em seus valores no mês passado, segurando o IPCA.

Com o acréscimo deste resultado, a variação acumulada pelo IPCA nos últimos 12 meses ganhou força, passando de 3,99% para 4,61%. Aliás, em agosto, o que impulsionou os preços foi o item energia elétrica residencial, que impactou o IPCA em 0,18 pontos percentuais.