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“Vamos em frente sem deixar ninguém para trás”: na teoria, tudo é lindo

Você é um aluno, professor, ou até mesmo diretor de uma escola pública? Como tem sido a sua rotina de estudos ou sua rotina de trabalho? (se é que se pode chamar assim frente a tudo que está acontecendo), os recursos materiais de suporte para continuar as atividades remotamente chegaram? Não? Como assim? Mas foi o que a frase destacada pela Secom me deu a entender, também deu a você?

Não é difícil dizer que a recente publicação da Secom (Secretaria especial de comunicação social ) publicada no twitter pode ser chamada de uma verdadeira utopia. Tal conceito se dá por uma sociedade ideal fundamentada em leis justas e em instituições político-econômicas verdadeiramente comprometidas com o bem- estar coletivo.

A secretaria especial de comunicação social ainda destacou os motivos para não adiar o Enem, sendo estes, na visão dela, impedientes de tal medida social, pois fez questão de destacar que 98,6% dos candidatos têm celular e que 75% têm internet em casa. Mas aqui vai a seguinte questão: e os outros 2,4% que não têm celular (e olha que o ideal é estudar por uma tela de computador também por questões de saúde visual)? E os outros 25% que não possuem internet em casa? Como um dos órgãos de um governo que possui a declaração universal dos direitos humanos, promulgada pela ONU  que garante o direito à educação e ao bem-estar social pode usar como base um dado que torna parte da população estudantil exclusa desse direito para argumentar que deve haver sim o Enem? Será que ignorar a porcentagem desprovida e que está em minoria não é deixar ninguém para trás?

O “todos” da declaração foi deturpado

Promulgada pela ONU, a declaração universal dos direitos humanos garante a TODOS o direito à saúde, EDUCAÇÃO, segurança, e demais fatores básicos. Porém, a publicação mostra o conceito de garantia do direito a todos totalmente deturpado ao passo que a mesma ignora uma parcela populacional estudantil que não possui recursos para manter o seu ano letivo e, é claro, sua posterior execução do Exame Nacional de Ensino médio.Será mesmo que não estão deixando ninguém para trás?

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Argumentos que ignoram a real situação

Liberdade de escolha

A liberdade de escolha entre fazer ou não a prova ou será o direito a uma competição justa? Não é novidade para ninguém que o Brasil já possuía uma grande disparidade no quesito educação. Alunos de escola pública competem todos os anos com alunos de escola particular, mesmo que hajam cotas, tal medida de solução não se encontra à altura do problema. Será mesmo que temos que nos preocupar com a liberdade de escolha quando se têm assuntos mais importantes a se pontuar, como a desigualdade que será acentuada se nenhuma medida for tomada? Tal preocupação se torna insignificante perto do real motivo para se preocupar: o direito a uma competição justa.

Candidatos aptos

Como assim candidatos aptos? Será que acham que o ensino público comporta uma bagagem que deixa o aluno preparado para prestar o vestibular? Quantos recorrem a recursos extras para suprir o ensino deficiente dado nas escolas e ainda sofrem financeiramente com isso? A realidade no ponto de vista da secretaria parece estar muito distante da realidade vista pelos estudantes: muitos, ao saírem do ensino médio, simplesmente não conseguem a vaga de imediato, muito pelo contrário, continuam tentando durante anos após a conclusão, e esse fato é justamente culpa da falta de preparação por parte das escolas, pois as mesmas não possuem o nível de aprendizagem proporcional ao nível de prova que comporta o Enem. Com isso, realmente, todos os 63% dos estudantes saíram do ensino médio aptos para fazer a prova, mas só numa realidade utópica.

Consequências indesejadas para os estudantes

Outro fator digno de ser chamado de “um dos motivos para não adiar o Enem” são as consequências indesejadas para os estudantes.Mais uma vez cabe a reflexão: será mesmo que temos que nos preocupar com isso quando há assuntos mais importantes a tratar? No quesito de problemas em assuntos de cunho técnico para entrar numa universidade, é claro que tal assertiva é relevante, mas o que a Secom parece não estar enxergando são os assuntos de cunho humanitário.Antes de se preocupar com problemas de atraso nos programas ProUni, Fies e Sisu, deve-se olhar para as notas que, devido à crise do coronavírus, serão diretamente afetadas, deixando alunos em situação desfavorável, os quais já não tinham um bom desempenho, à mercê de um rio de condições desiguais na hora que as notas forem postas nos programas.

Condições para realização

Por fim, e mais intrigante, a secretaria abordou o argumento da MAIORIA dos alunos terem condições para a realização da prova levantando dados que mostram que a MAIORIA têm celular e internet em casa.Mas e o restante dos alunos que não possuem? Ao passo que esse argumento achou-se embasador, também se mostrou como um fato de que, justamente por “Maioria” não ser sinônimo de “todos” é que alguma medida de enfrentamento à concorrência e às condições desiguais devem ser tomadas.

Então, será que realmente a frase “Vamos seguir em frente sem deixar ninguém para trás” tinha de realmente estar destacada após tais argumentos? Sim, deveria, mas numa realidade onde os recursos materiais para prosseguimento dos estudos da população carente fossem dados, mas, infelizmente, tal atitude não passa de uma utopia.

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