Educação

Dúvida de português no esporte: qual é o feminino correto de árbitro?

Termo “árbitro” tem origem no latim e está ligado à ideia de decisão e mediação

Publicado por
Ana Julia Nery

Com mulheres assumindo cada vez mais protagonismo na arbitragem esportiva, surge uma dúvida comum sobre o feminino de árbitro, e a resposta é clara: “árbitra” é a forma correta. O termo está registrado oficialmente e deve ser usado sempre que a partida for conduzida por uma mulher, seja em esportes coletivos ou individuais.

Durante muitos anos, o apito nas competições esteve associado quase exclusivamente aos homens, principalmente no futebol. No entanto, esse cenário mudou: hoje, é comum ver mulheres comandando clássicos, finais de campeonato e até jogos de Copa do Mundo. Continue lendo para compreender melhor!

Regra gramatical: formação do feminino de “árbitro”

A construção do feminino de “árbitro” segue o padrão mais comum da língua portuguesa aplicado a profissões e cargos: nos termos terminados em “-o”, o feminino é formado com a substituição desse final por “-a”.

Assim, “árbitro” torna-se “árbitra”, de maneira similar a “médico” e “médica” ou “professor” e “professora”. Essa lógica mostra-se intuitiva e facilita a adaptação de diferentes termos profissionais ao gênero da pessoa.

Veja exemplos:

  • cozinheiro / cozinheira;
  • empresário / empresária;
  • cantor / cantora.

Quando usar “árbitra” e o uso do masculino genérico

A palavra “árbitra” deve ser utilizada sempre que se estiver falando sobre uma mulher no papel de autoridade esportiva — seja em manchetes, notícias, narrações ou textos técnicos. Isso reforça a igualdade de participação no esporte e evita invisibilizar as profissionais.

Contudo, a forma masculina “árbitro” ainda aparece em muitos textos como genérico, referindo-se ao conjunto de árbitros e árbitras ou à função de modo geral.

Exemplos práticos em situações esportivas:

  • A árbitra marcou pênalti no segundo tempo.
  • A torcida gostou de como a árbitra conduziu a situação no jogo.
  • A mulher tem o sonho de se tornar árbitra da Fifa.

Origem do termo “árbitro”

No esporte, o árbitro é a pessoa responsável por aplicar as regras e garantir a justiça da disputa./ Imagem: Notícias Concursos

O termo “árbitro” vem do latim “arbiter”, significando alguém que decide, julga ou atua como mediador de um conflito. Ao longo do tempo, a palavra foi incorporada à língua portuguesa e passou a identificar a pessoa responsável por aplicar as regras em competições esportivas.

Dessa forma, seja em competições como futebol, vôlei ou atletismo, cabe à árbitra ou ao árbitro garantir que o jogo ocorra de maneira justa e dentro das normas.

Histórico da participação feminina na arbitragem esportiva

A presença das mulheres como árbitras em esportes, especialmente no futebol, foi marcada por desafios e preconceitos. A trajetória da brasileira Léa Campos é um marco: após concluir o curso de arbitragem em 1967, ela teve de enfrentar entraves legais e culturais para exercer sua função.

A antiga legislação que proibia mulheres de jogar futebol também impedia a atuação como árbitras. Com determinação, Léa Campos buscou reconhecimento, organizou jogos e obteve na justiça o direito de atuar. Sua conquista abriu espaço para outras mulheres.

Outras pioneiras são mencionadas internacionalmente, como Drahsan Arda, da Turquia, licenciada em 1967, e Ingrid Holmgren, da Suécia, credenciada no ano anterior, além de registros sobre Edith Klinger, na Áustria, em 1935.

Embora existam divergências sobre quem iniciou essa trajetória mundialmente, Léa Campos é referência no Brasil e no exterior.

As árbitras nas grandes competições esportivas: Copa do Mundo de 2026

No cenário atual, a presença feminina na arbitragem atingiu destaque internacional. Durante a Copa do Mundo de 2026, um jogo da segunda rodada do Grupo A, entre República Tcheca e África do Sul, foi comandado por um trio completamente feminino, liderado pela norte-americana Tori Penso, com as assistentes Brooke Mayo e Kathryn Nesbitt.

Esta foi a primeira vez nessa edição do torneio que um trio de mulheres conduziu uma partida. Além delas, seis mulheres compõem a equipe de arbitragem da competição, com destaque para a mexicana Katia Itzel García como árbitra principal, além de Sandra Ramírez, Tatiana Guzmán e Enriqueta Caudillo, que atuam como árbitras assistentes e no VAR.

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