Ficar acordado até tarde pode estar silenciosamente comprometendo a saúde do coração. Um estudo com mais de 300 mil adultos, publicado em janeiro de 2026 no Journal of the American Heart Association, mostrou que pessoas com hábito noturno têm risco até 79% maior de apresentar indicadores ruins de saúde cardiovascular. O dado impressiona e muda a forma como se deve encarar a rotina de sono.
A pesquisa, liderada por Sina Kianersi, do Brigham and Women’s Hospital e da Harvard Medical School, analisou dados do UK Biobank e avaliou como o horário natural de dormir se relaciona com a saúde do coração. Os resultados são um alerta para quem acha que dormir tarde é apenas uma questão de costume.
Cronotipo é a preferência natural do corpo por horários de sono — ele define o ritmo biológico e determina os melhores horários para dormir, acordar e realizar atividades. Existem basicamente três perfis:
O problema central é o chamado “desalinhamento circadiano”: quando o relógio biológico interno não acompanha o ciclo natural de claro e escuro nem as rotinas sociais. Com o tempo, esse descompasso afeta funções importantes — pressão arterial, metabolismo e controle do açúcar no sangue.
Os pesquisadores examinaram dados de mais de 300 mil adultos com idade média de aproximadamente 57 anos. Cerca de 8% se descreveram como “definitivamente pessoas noturnas”, enquanto 24% se identificaram como “definitivamente matutinas”. Os 67% restantes foram classificados como cronotipo intermediário.
Para avaliar a saúde cardiovascular, o estudo utilizou as métricas do Life’s Essential 8, da American Heart Association (AHA). Os critérios incluem alimentação, atividade física, tabagismo, sono, peso, colesterol, glicemia e pressão arterial.
A associação mostrou-se mais forte entre mulheres, segundo os autores do estudo. Fatores hormonais e diferenças no padrão de sono entre os sexos podem explicar essa variação, embora os pesquisadores indiquem que mais estudos são necessários para entender essa relação com profundidade.
Segundo o autor principal, Sina Kianersi, o descompasso circadiano pode favorecer comportamentos que afetam diretamente o coração, como sono insuficiente, tabagismo e alimentação de pior qualidade, fatores que ajudam a explicar o risco maior observado no estudo.
Em outras palavras, não é o simples fato de dormir tarde que causa o problema. É o conjunto de hábitos que acompanha esse estilo de vida:
Especialistas ressaltam que ter o hábito de dormir mais tarde não significa, por si só, que alguém vá desenvolver problemas cardíacos.
Para Kristen Knutson, que liderou uma declaração científica recente da American Heart Association sobre saúde circadiana, parte do risco vem de fatores modificáveis — o que significa que, mesmo quem tem preferência por dormir tarde, pode reduzir o risco cuidando do sono, evitando o tabagismo e mantendo hábitos saudáveis.
A recomendação de Kianersi é concentrar esforços no básico: manter horários de sono e vigília consistentes, dormir bem, buscar exposição à luz pela manhã, praticar atividade física regularmente e acompanhar indicadores como pressão arterial, colesterol e glicemia, além de evitar o tabagismo.
Os autores ressaltam que a maioria dos participantes do UK Biobank era branca e, em geral, mais saudável do que a população média, o que pode limitar a aplicação dos resultados a outros grupos. Além disso, a classificação de cronotipo foi autodeclarada e medida apenas uma vez.
Por se tratar de um estudo observacional, os achados não comprovam uma relação de causa direta entre cronotipo e saúde cardiovascular prejudicada. Kianersi também reconhece que são necessários mais estudos para determinar se os mesmos padrões se aplicam a pessoas mais jovens.
Para aprender mais conteúdos sobre saúde e hábitos, continue acessando o portal Notícias Concursos.