Saúde e Bem Estar

Dia Nacional de Conscientização sobre Dor Crônica será celebrado em 5 de julho

Dor Crônica no Brasil: Avanços na legislação e os desafios do atendimento integral à população

Publicado por
Fátima Azevedo

O reconhecimento da dor crônica como um problema de saúde pública no Brasil ganhou novos contornos com a lei publicada em 8 de junho de 2026, que estabelece diretrizes claras para aprimorar o atendimento a quem convive com essa condição.

O tema, que afeta milhões de brasileiros, desperta atenção não apenas por seu impacto direto no cotidiano, mas também pelo potencial de transformar políticas de saúde e a vida dos pacientes.

O que é dor crônica e como ela afeta a população brasileira

Considera-se dor crônica aquela que persiste por mais de 30 dias, segundo a Associação Internacional para o Estudo da Dor, embora práticas médicas no Brasil também adotem o critério de três meses de duração.

Os sintomas persistentes podem causar sofrimento físico, emocional e social, afetando desde a realização de tarefas simples até o equilíbrio psicológico dos indivíduos.

Dados recentes estimam que aproximadamente 60 milhões de brasileiros sofrem com esse problema, o que significa mais de 37% da população nacional. O Sul do país apresenta uma das maiores prevalências, atingindo 42% dos habitantes, enquanto o Nordeste, apesar de menores índices, ainda enfrenta desafios consideráveis.

Legislação: direitos e avanços no atendimento

A Lei Nº 15.422 de 3 de junho de 2026, publicada em 8 de junho, assegura o atendimento integral no Sistema Único de Saúde (SUS) às pessoas com dor crônica, incluindo o direito a informações prévias sobre os riscos e os possíveis efeitos adversos dos tratamentos.

A norma busca garantir não apenas o acesso ao diagnóstico e ao acompanhamento, mas também ampliar o acesso a informações qualificadas, combater o preconceito e estimular abordagens multiprofissionais e humanizadas no cuidado ao paciente.

Entre as principais novidades está a criação do Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Dor Crônica, em 5 de julho. A data, representada pela cor verde, passa a orientar campanhas anuais de conscientização e ações educativas em todo o território nacional.

Desafios enfrentados por quem vive com dor crônica

Limitações no dia a dia e a busca por tratamento adequado estão entre os obstáculos enfrentados pelos pacientes. Imagem: Magnific

Mais do que um desconforto físico, a dor crônica traz consigo uma série de impactos indiretos. Ela poderá prejudicar a rotina de trabalho, o convívio social e o bem-estar psicológico. Entre as condições associadas estão a depressão, ansiedade, isolamento social e até mesmo riscos aumentados de suicídio.

Os diagnósticos mais comuns incluem dor lombar, articular, na cabeça, face e pescoço, além de neuropatias. Essas dores, se não tratadas de maneira adequada, podem contribuir para o sedentarismo, obesidade, agravamento de doenças crônicas e comprometer a qualidade de vida.

Tratamentos disponíveis e abordagem multiprofissional

O combate à dor crônica requer a integração de diversos profissionais de saúde, incluindo médicos intervencionistas, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos.

SUS e os planos privados oferecem múltiplas opções terapêuticas, como atendimentos clínicos, fisioterapia, intervenções minimamente invasivas e recursos inovadores, caso da medicina regenerativa (como o uso de células-tronco e plasma rico em plaquetas).

Essa abordagem visa reduzir o uso excessivo de analgésicos, promover reabilitação e dar suporte emocional ao paciente, contribuindo para um alívio mais eficiente dos sintomas e uma melhora sustentada na rotina.

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