Tecnologia

As armas do Google contra o ChatGPT

Em mais de 20 anos de história, o Google nunca tinha sido tão ofuscado por uma tecnologia quanto agora com o ChatGPT. A inteligência artificial (IA) generativa, chamada assim por ser capaz de gerar conteúdo, fez algumas pessoas usarem o ChatGPT até para fazer pesquisas que o Google responderia. Como resultado, a Microsoft adicionou o ChatGPT dentro de seu buscador, o Bing.

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A resposta do Google veio na semana passada, durante o evento Google I/O 2023. A empresa apresentou o PaLM 2, seu novo modelo de inteligência artificial generativa, que traz recursos multilíngues, de raciocínio e de codificação aprimorados. Essa tecnologia será incorporada em diversas ferramentas da empresa, como o Gmail, e será a base para o Bard, que é o “clone” do ChatGPT. 

O PaLM 2 é poliglota e compreende mais de 100 idiomas, segundo o Google, o que o permite ter maior capacidade para entender, gerar e traduzir texto com nuances – incluindo expressões idiomáticas, poemas e enigmas – em comparação à versão anterior. 

Ainda segundo a empresa, o “raciocínio” da plataforma também melhorou e tem acesso a artigos científicos e páginas da web que contêm expressões matemáticas. Como resultado, demonstra capacidades aprimoradas em lógica, raciocínio de bom senso e matemática, diz o Google.  

Assim como o ChatGPT, o Google promete que a solução poderá ser usada para ajudar profissionais de TI na codificação e foi pré-treinada em “uma grande quantidade de conjuntos de dados de código-fonte disponíveis publicamente”. Isso inclui as clássicas Python e JavaScript, além de outras mais especializadas, como Prolog, Fortran e Verilog. 

O Bard

O Bard não é novidade no mercado de tecnologia. Assim que o ChatGPT estourou a bolha e virou “assunto de bar”, o Google logo correu atrás e lançou sua ferramenta, em março deste ano. Ele já estava em uso nos Estados Unidos e no Reino Unido, colhendo feedbacks (a maioria, negativo). 

Agora, com o PaLM 2, a expectativa é que a ferramenta seja mais inteligente e integrada com outras soluções do Google. Os resultados gerados pelo Bard poderão ser importados para o Gmail ou o Google Docs com poucos cliques. Além disso, ele tem reconhecimento de voz e vai poder gerar conteúdo a partir da fala.  

Assim como o ChatGPT, ele também vai poder gerar resumos a partir de páginas da web, o que deve piorar o relacionamento de professores com o Google. As respostas também poderão ser mais curtas ou longas, a depender da necessidade de quem pergunta. Ele também vai sugerir perguntas similares, assim como já ocorre no buscador. 

Por enquanto, o Bard está disponível em 180 países e territórios — com mais em breve. Quem ficou de fora foi a União Europeia e o Brasil, entre outros países. Provavelmente, isso ocorreu porque as regulações nessas nações são mais rígidas e o Google ainda precisa adequar as políticas da sua IA. 

Onde mais a IA do Google vai estar

Os planos do Google para usar o PaLM 2 são: 

  • Workspace: a ideia é que o Gmail e o Google Docs sejam alimentados pela IA generativa para ajudar o usuário a escrever.
  • Medicina: O Med-PaLM 2, treinado para a área pesquisa em saúde, pode responder a perguntas e resumir percepções de uma variedade de textos médicos. Aqui, a intenção é ajudar o médico a chegar em um diagnóstico de forma mais rápida e assertiva.
  • Cibersegurança: O Sec-PaLM é uma versão especializada do PaLM 2 treinada em casos de uso de cibersegurança. Disponível por meio do Google Cloud, ele usa IA para ajudar a analisar e explicar o comportamento de scripts potencialmente maliciosos e detectar melhor quais scripts são realmente ameaças a pessoas e organizações em tempo sem precedentes.

Segundo o Google, há uma API do PaLM 2 que vem sendo testada com um pequeno grupo de desenvolvedores desde março deste ano. Agora, desenvolvedores interessados podem se inscrever para usar a IA para experimentarem a codificação com a ajuda de uma IA. Uma solução para empresas também já foi formatada, que poderá ser acessada pelo Vertex AI.