Muita gente trava na hora de escrever: afinal, é a própolis ou o própolis? A resposta vai contra o que a maioria imagina.
A dúvida aparece na receita médica, na bula do produto, nas redes sociais e até na conversa com o farmacêutico. E não é à toa: a palavra própolis funciona de um jeito que poucos esperam na língua portuguesa. Diferente de quase tudo que se aprende na escola, ela não tem um gênero fixo, masculino ou feminino. Aceita os dois. Isso não é erro de quem escreve — é uma característica da própria palavra.
Mas por que isso acontece? O que determina quando usar uma forma ou outra? E o que isso tem a ver com a origem grega da palavra? Essas respostas estão a seguir, com explicações diretas, exemplos práticos e até uma curiosidade sobre a diversidade brasileira dessa substância.
Tanto “a própolis” quanto “o própolis” podem ser usados. A palavra pertence a um grupo especial da Língua Portuguesa: os substantivos de dois gêneros. Isso significa que ela pode ser usada tanto no masculino quanto no feminino, dependendo do contexto e até da intenção de quem fala.
Esse tipo de flexibilidade é menos comum, mas existe. Palavras como “personagem”, “laranja” e “diabete/diabetes” também transitam entre os gêneros, a depender do uso e da região.
São palavras que a língua portuguesa admite tanto no masculino quanto no feminino, sem que nenhuma das formas seja considerada errada. O uso varia conforme a tradição, o contexto ou a área de conhecimento. Com própolis, esse fenômeno é bem documentado nos principais dicionários e gramáticas do português.
A explicação vem do passado. A palavra “própolis” tem origem no grego: pro significa “defesa” e polis significa “cidade”. O termo designa, portanto, algo como “defesa da cidade” — uma referência direta à função que essa substância exerce na colmeia das abelhas.
Por ser uma palavra originada em outro idioma, ela não chegou ao português com gênero fixo e acabou ganhando essa flexibilidade no uso.
Esse tipo de entrada linguística é comum com termos vindos do grego e do latim. Como não havia uma terminação clara que indicasse masculino ou feminino em português, falantes e escritores foram estabelecendo usos distintos ao longo do tempo.
Quando um termo estrangeiro entra no português sem uma terminação típica de gênero (como “-o” para masculino ou “-a” para feminino), ele pode flutuar entre os dois gêneros até que um uso se consolide — ou, em alguns casos, os dois permanecem aceitos. É exatamente o que aconteceu com própolis.
O uso no feminino costuma aparecer quando se fala da substância em seu estado mais natural — aquela resina produzida pelas abelhas. É muito comum entre apicultores e pessoas que lidam diretamente com a extração.
Exemplos com o feminino:
Esse uso reflete um contexto mais técnico e próximo da apicultura, onde a substância bruta, ainda na colmeia, é o foco da conversa.
O masculino aparece mais quando se fala de produtos derivados, como extratos, sprays ou soluções vendidas em farmácias. Nesse caso, o uso pode ter sido influenciado pelo hábito de tratar o produto como um item comercial.
Exemplos com o masculino:
No dia a dia das farmácias e lojas de produtos naturais, o masculino é mais frequente. Não está errado — é apenas o uso que se consolidou nesse contexto específico.
O Brasil ocupa uma posição de destaque mundial quando o assunto é própolis. Já foram identificados 13 tipos diferentes no país, mas quatro deles são os mais conhecidos:
Cada tipo apresenta composição química diferente e, por isso, propriedades distintas. A própolis verde, por exemplo, é a mais estudada e exportada do Brasil, amplamente pesquisada por universidades nacionais e internacionais.
Para quem escreve sobre o tema — seja em artigos, embalagens, receitas ou redes sociais — uma orientação prática ajuda:
| Contexto | Forma recomendada |
|---|---|
| Apicultura, extração, natureza | a própolis (feminino) |
| Produto comercial, farmácia, suplemento | o própolis (masculino) |
| Texto acadêmico ou científico | Ambos são aceitos |
| Uso casual, cotidiano | Ambos são aceitos |
O mais importante é manter a coerência dentro do mesmo texto. Se começar com “a própolis”, mantenha o feminino ao longo de todo o conteúdo.
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